RePública Em Ação

Debatendo temas sobre Relações Públicas

ENTREVISTA COM JOÃO ALBERTO IANHEZ – PRESIDENTE DO CONSELHO FEDERAL DE PROFISSIONAIS DE RELAÇÕES PÚBLICAS


1-      Como o senhor avalia a formação profissional dos Relações Públicas na atualidade?

Resposta: Na maioria das escolas a formação é deficiente. Falta a visão prática e sobra visão teórica. Tanto ocorre isto, que os teóricos querem que uma área que deveria se limitar as pesquisas, aos estudos e ao ensino para a área e outras atividades inerentes a organização substitua Relações Públicas, com o nome de Comunicação Organizacional. Estão transformando a comunicação numa panacéia para tudo.

Esta confusão armada pelos teóricos e atingindo toda a sociedade, universidades e escolas, está causando confusão e interfere na formação profissional. Alguns teóricos da área de comunicação estão sendo tomados pela megalomania de algumas outras atividades organizacionais que se referem as suas especialidades dizendo “tudo é…”. Desta forma, desprezam as especializações das diferentes áreas que formam as estruturas organizacionais.   Por outro lado “a amplitude e o volume de conhecimentos nas Relações Públicas são tão vastos que os programas educacionais desta disciplina não são suficientemente bem focalizados.”(“Um modelo organizacional para o aprendizado de Relações Públicas…” IPRA) Nas perguntas que se seguem complemento esta resposta. ( Vide resposta Nº 3)

2–      O que um RP precisa ter para ser reconhecido como uma “peça” fundamental na engrenagem de uma organização?

Resposta: 1- Reportar-se ao principal executivo da organização. 2- Ter evoluído numa carreira bem sucedida da área de Relações Públicas. 3- Ter compreensão adequada dos processos organizacionais. 4 – Ter visão das intrincadas relações mantidas pela estrutura organizacional, dentro e fora da mesma. 5 – Ter visão atual da estrutura social e da sua exigência para com a organização. 6 – Estar atualizado em relação aos avanços nos campos: social, econômico, político, comunicação, informação e cultura.

3-      Qual o maior desafio hoje do profissional das relações públicas?

Resposta: Sempre, o maior desafio do profissional são as exigências do mercado e da sociedade, em contínuas mutação e evolução. A invasão do mercado de profissionais despreparados, de outras áreas que, através do tráfico de influências, consegue se colocar no mercado, mesmo sem credenciais adequadas, roubando os espaços dos profissionais de Relações Públicas, na maioria das vezes sobre o olhar leniente dos nossos profissionais. A formação é outro desafio. Sendo assim vejamos: 1 – Boa formação, que começa por uma preparação adequada antes de ingressar no curso. 2 – Buscar complementar a formação universitária pela busca mais ampla possível da visão da sociedade, suas demandas e exigências. 3 – Leitura e audiência cultural e informativa contínua e dedicada. 4 – O ideal é que o profissional de relações públicas iniciasse sua vida laboral o mais cedo possível, de preferência aos 14, 15 anos, no máximo aos 18 anos. Entendo ser essa visão prática essencial para a formação do profissional.

4-      É possível fazer planejar a comunicação somente com as técnicas de relações públicas?

Resposta: Comunicação é sinônimo de veículos, de meios. Por exemplo: o indivíduo sozinho lendo um jornal, uma revista, ou assistindo televisão, ou acessando a internet e enviando mensagem para o mundo. Ele pode objetivar diversos receptores, mas pode ser que nenhum o ouça ou veja. Isto ocorre por falta de planejamento, que não envolve apenas veículos de comunicação. Relações é sinônimo de contato, participação, interação, é integração.   Entendo eu: Quando falamos em comunicação, dentro do contexto de Relações Públicas, estamos falando de veículos, instrumentos para estruturar e solidificar relacionamentos. Portanto, o planejamento de RRPP tem os seguintes componentes essenciais: 1- A visão total e ampliada da estrutura organizacional.  2 – O mapeamento dos diferentes segmentos do público que influenciam e são influenciados pela ação da organização. 3 – Os valores que fundamentam as relações com os diferentes públicos. Eles se encontram na cultura da empresa. 4 – A missão, a visão e os objetivos organizacionais. 5 – A resposta a pergunta: Como a organização precisa ser vista pelo público para atender os seus requisitos relacionados no item anterior? 6 – A opinião dos diferentes segmentos do público em relação à organização. 7 – O que a organização espera do planejamento das atividades de Relações Públicas? 8 – Quais os meios e os veículos de comunicação que deverão ser utilizados para atingir os objetivos da organização e do programa de Relações Públicas?

Desta forma, está praticamente estruturado o programa de Relações Públicas.

5-      Na Era digital, qual o papel do RP?

Resposta: Essencial. A filosofia, os valores e as práticas de Relações Públicas aplicadas no dia-a-dia das organizações e dos seus relacionamentos devem fundamentar as relações das mesmas, os seus veículos de comunicação digital e o tratamento que dá aos de terceiros, que envolvem o seu nome. Hoje, mais do que nunca, em razão das denominadas mídias sociais as organizações precisam pautar suas relações dentro da estrutura de planejamento colocadas na resposta anterior, com valores que conduzam suas ações sem mudança de rumo, sem mentiras, sem subterfúgios. Caso essas ações não ocorram, provavelmente, ela será surpreendida no contrapé e sofrerá graves danos a sua reputação.

6-      Em sua opinião, o nome da profissão atrapalha o valor que as relações públicas possuem dentro de uma organização?

Resposta: O termo Relações Públicas sofreu muito no passado, por interpretações errôneas e por sua utilização inadequada, que ainda ocorre hoje, mas com menor freqüência. Mais tarde, sofreu o ataque da comunicação social, forma de substituí-la durante o regime militar, para buscar divulgação a todo custo de uma imagem boa para o mesmo. Ele queria a utilização dos veículos de comunicação de forma nem sempre muito ética, forçar uma imagem positiva para um regime de exceção. Relações Públicas não deu ao regime o que ele esperava. O termo comunicação social foi herdado do Vaticano que identificava através dele, as relações mantidas com a imprensa. No Brasil ele veio substituir as Relações Públicas e passou a ter uma utilização com um espectro mais amplo. Comunicação social e outros títulos ligados a comunicação serviram e servem, até hoje, para muitos profissionais não preparados fugirem da regulamentação profissional de Relações Públicas. A abordagem desses profissionais: “não são relações públicas, mas são as mesmas coisas”, também depreciaram a profissão.

Ela resistiu e continua a resistir a todas essas situações adversas.  Agora, as Relações Públicas sofrem o ataque dos que desejam, erroneamente, substituí-la pelo termo comunicação organizacional. A profissão está reagindo. Ter subsistido a todas essas situações que tentaram depreciá-las demonstram a validade e a força do nome dessa profissão, altamente valorizada por quem a conhece realmente.

7-      O senhor acredita que ainda há muita confusão com relação ao verdadeiro papel deste profissional no processo da comunicação empresarial? Por quê?

Resposta: As respostas estão dadas nas perguntas anteriores. O processo de comunicação pressupõe veículos, meios e o tratamento dos mesmos. A confusão se instalou pelo fato de que deveria ser denominado processo de relações públicas, processo de propaganda, processo de marketing, processo de recursos humanos, que envolvem as utilizações dos veículos de comunicação dentro de uma estrutura planejada que antecede a mesma.  Por que só as Relações Públicas se confundem com a comunicação e nunca tentaram substituir propaganda pelo termo comunicação? Portanto, o que há é a confusão na utilização do termo comunicação como sinônimo de Relações Públicas.

8-      Como o CONFERP tem atuado no Brasil para a valorização da atividade?

Resposta: O CONFERP é um sistema que tem por objetivo a regulamentação e a fiscalização da profissão. Como outros conselhos de profissões regulamentadas ele depende de seus profissionais para fiscalizar. A regulamentação da profissão e a fiscalização por si são atividades educativas e esclarecedoras do papel da profissão e do profissional que, paulatinamente, vão criando entendimento e utilização adequada da mesma. Talvez, pelas características de sua formação e de sua atuação o profissional de Relações Públicas não age como fiscalizador da profissão, com a intensidade que fazem profissionais de outras áreas.  Vemos alguns até unidos confortavelmente a pessoas que tentam burlar a regulamentação.  Seria uma grande contribuição se algum estudioso/pesquisador se determinasse a fazer um estudo profundo do comportamento do profissional de Relações Públicas e a sua falta de gregarismo e da defesa da profissão.

9-      A realidade vivida pelos profissionais é diferente em cada região do país?

Resposta: É. Inclusive pelo fato de sermos um país continental, com características regionais diferentes. Mas, a ação profissional para contornar qualquer situação, esteja o profissional onde estiver, é a mesma: força de vontade, determinação, entusiasmo, amor a profissão e estar preparado para enfrentar desafios. (Vide resposta da pergunta Nº 3.

10-   Que mudanças podem ser feitas para que a classe conquiste mais espaço dentro das discussões de comunicação?

Resposta: Respeito mútuo entre os profissionais, com o consequente respeito e apoio as suas entidades representativas. União de classe.

11-   Quais eventos estão acontecendo hoje, que em sua opinião, são importantes para o fomento dessas discussões?

Resposta: A discussão e a reestruturação pelo MEC dos cursos da área de Comunicação Social. No caso de Relações Públicas, o Ministério da Educação constitui uma Comissão de Especialistas que tem por função definir as novas diretrizes curriculares do curso de Relações Públicas. Através de cinco audiências públicas, distribuídas estrategicamente pelas regiões do Brasil, e de consulta pública virtual, a Comissão está buscando mobilizar a sociedade civil e as comunidades acadêmicas e profissionais de Relações Públicas para participarem.

O CONFERP também criou um Comitê com a participação de seus Conselhos Regionais para apresentar sua posição com relação ao assunto.

Além disso, o CONFERP está buscando: A abertura da profissão com registros dos pós graduados e dos tecnólogos. Nova identidade profissional atualizada e com tecnologia avançada. Modernização da identificação visual do Sistema CONFERP.

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29 de outubro de 2010 Posted by | Uncategorized | , , , | Deixe um comentário

Novo Marketing é Relações Públicas


Quando se começa a ler os conceitos fundamentais da área de relações públicas, uma das habilitações dentro do universo acadêmico da Comunicação Social, é possível deparar-se com todas as previsões de futuristas e especialistas de mídias sociais. O lado social das marcas, os novos modelos de interação, a co-criação e a co-produção e outras variantes colaborativas estão no escopo de RP. Isto ficou ainda mais claro com palestra do norte-americano Brian Solis na quarta edição do Digital Age 2.0, realizado nos dias 18 e 19 de agosto de 2010 no Sheraton WTC Hotel em São Paulo/SP, ainda mais quando ele começa dizendo: “há uma nova métrica no marketing, chamada engajamento, a obtenção do envolvimento das pessoas”. Para ele, “não é o que você diz que conta, mas é a experiência que as pessoas contam que interessa”.

Presidente da FutureWorks, Solis é especialista em convergência de PR, Mídia e Social Media. É também colunista dos blogs TechCrunch (http://techcrunch.com) e Mashable (http://mashable.com) e autor do livro Engage!, que trata sobre mídia social  e o trabalho de Relações Públicas das empresas. Além disso, é cofundador do Social Media Club e membro do Media 2.0 Workgroup, além de manter o blog http://www.briansolis.com . “O desafio das agências de relações públicas não é diferente do desafio de todas as agências de comunicação, incluindo marcas, publicidade e marketing. O futuro está na capacidade de reconhecer e priorizar os canais de maior importância, aliada à aptidão para conectar os principais pontos entre as marcas, os consumidores e os indivíduos que influenciam as tendências e a tomada de decisões”, disse Solis em entrevista ao IDG!Now. Segundo ele, uma boa dica para as empresas que querem interagir com os consumidores nas redes sociais é concentrar esforços e recursos em redes de relevância, ou seja, aquelas em que sua presença realmente contribui com a comunidade. E ainda aconselha que os valores, finalidade e responsabilidade social, por exemplo, sejam trabalhados dentro e fora das redes sociais, inspirando atividades online e offline.

Na visão do especialista, as relações entre marcas e pessoas não criavam conexões como agora as redes permitem. O que ele chama de “last mille” é a tendência à socialização do negócio, com a consolidação de um outro “p” no famoso composto de marketing: as pessoas. Mas seria muito mais que conversação, e sim confiança. As Ciências Sociais estão na base da compreensão destas questões, porque tudo parte do indivíduo e dele em interação, construindo experienciações. “Mídias sociais é mais sobre Sociologia e Psicologia do que tecnologia”, arremata. Se hoje as pessoas são definidas por suas conexões, é bom lembrar que elas mudam de acordo com o tema, o que torna o cenário complexo. O conteúdo, assim, deixa de ser o rei para dar lugar ao contexto. Solis entende que o mapeamento de influência é uma parte fundamental do trabalho com marcas, e isto não significa ir atrás da popularidade, mas sim na capacidade de inspirar e encadear uma determinada opinião junto a vários interlocutores. É uma relação de compartilhamento e de desenvolvimento de capital social.

O marketing das redes sociais maneja com conceitos como influência, interação, ideação e inteligência, com a complexidade de ter uma nova dinâmica de comunicação onde os papéis dos interagentes altera-se e a relevância é algo a ser conquistado todo dia. Pior ainda que diversas pessoas (na ordem de 70% dos atuantes em redes) nunca interagem, apesar de manterem perfis nos canais, e assim fica mais difícil saber com quem se está tratando de fato. Ele recriou a sigla CEO, agora significando Chief Editor Office, em que o presidente passaria a ser um grande orquestrador de conteúdo e de contextos, envolvendo as pessoas certas e instaurando uma rede contextual de efetivos influenciadores. A partir daí, pode haver uma reação, sobremaneira porque as redes sociais envolvem um alto grau de emoção, com liberação de substâncias no corpo humano semelhantes ao que acontece na relação mãe e filho ou dono e animal de estimação. Empatia é chave na rede social, diz o palestrante, e só o merecimento durável de status faz diferença.

Há alguns indicadores sugeridos pelo consultor para monitorar a capacidade de ressonância de uma narrativa de marca e de consolidação da capilaridade e da influência: relevância, resiliência e significância. Mais do que repetição de algo em determinado canal e espaço de tempo limitado, a lógica das redes sociais envolve uma persistência maior e uma multipresença com postura de conversar um a um sempre que necessário. “Este é o momento de definir quem você é, qual seu capital social e como você inspira. É você que define a sua experiência e a sua influência e faz ou não diferença no mundo”, sentenciou Solis.

Na sequência da maratona de atividades do evento, organizado pela Now!Digital Business com o instigante tema “Ideias para um mundo em transformação”, não foi diferente: diversos profissionais brasileiros e estrangeiros parecem apostar cada vez mais em relacionamentos dialogados a longo prazo do que em seduções informativas passageiras. Basicamente, a indicação é que estratégias de comunicação utilizem as redes de relacionamento na web para obter o melhor resultado no gerenciamento das marcas. Pelo que se viu, a tentativa é derrubar os últimos paradigmas do velho mundo analógico da publicidade e do marketing e colocar em discussão o presente e o futuro da comunicação, considerando como cenário definitivo uma realidade totalmente conectada. Palestras de Clara Shih, autora do livro “The Facebook Era” e fundadora/CEO da Hearsay Labs, especializada em soluções de gestão e métricas corporativas em redes sociais; Andrea Harrison, vice-presidente da Razorfish, responsável pela divisão de Social Influence Marketing e especialista em inteligência competitiva sobre mídias sociais e mercados verticais; e Shiv Singh, diretor de marketing digital da Pepsico North America e autor do livro “Social Media for Dummies”, vão ser tratadas em textos complementares.

RP Rodrigo Cogo – Conrerp SP/PR 3674

Gerenciador do portal Mundo das Relações Públicas (www.mundorp.com.br)

24 de agosto de 2010 Posted by | Uncategorized | , , , , , , , , , , | 1 Comentário

É Preciso Sair do Quadrado

As vezes, em algumas circunstâncias, muitos estudantes são levados a crer que só se faz RP dentro de uma organização que seja bem estruturada no mercado, com departamentos definidos em funções específicas. Um engano bem comum de encontrarmos, mas a realidade é bem diferente.

Lembro-me bem quando planejei meu projeto experimental na faculdade de comunicação muitos colegas estranharam a iniciativa, pois vislumbrei numa cooperativa de produtores de cupuaçu uma oportunidade de usar as técnicas de relações públicas. Consegui que outros dois colegas de classe comprassem a minha idéia. E o resultado foi a nota máxima da banca avaliadora.

O projeto consistia em implementar ações de comunicação que tornasse possível o melhor relacionamento entre a entidade e a comunidade onde ela estava inserida, no município de Igarapé-Açu, no Pará.

Fomos à campo, fizemos pesquisas, dentro e fora da entidade, para saber se até onde as pessoas reconheciam a importância da atividade da cooperativa e o quanto ela poderia ser importante para a economia do Estado.

Traçamos um mapa com todas estas informações e a partir daí planejamos as estratégias que poderiam ser usadas para alcançar o objetivo principal. Os trabalhos começaram internamente, com os cooperados, e depois traçamos as ações para o público externo.

Com este trabalho pude perceber, isso foi em 1999, que na verdade as fronteiras para se fazer RP são quase que impossíveis de limitar, pois onde há dois pontos que precisam se relacionar de forma mais estreita, e onde ambos reconheçam a relevância desta aproximação, ai pode ter inicio um planejamento de relações públicas.

Sair do quadrado foi uma expressão que aprendi fazendo o EMPRETEC, no SEBRAE, em 2005. E acredito que esta frase diz bem o quanto precisamos no papel de profissionais, de qualquer área, não somente da comunicação, fazer a diferença e saber valorizar os novos caminhos que sempre se apresentam em nossa estrada, somente assim é possível apresentar novas diretrizes, mais satisfatória, para as empresas, ou pessoas, para quem desenvolvemos nossos planejamentos.

Então, caros colegas de profissão, especialmente RP´s, vamos avançar em nossos limites e construir cada vez mais um horizonte mais amplo de nossas  possibilidades.

Lú Hage

Relações Públicas

22 de agosto de 2010 Posted by | Uncategorized | , , , , , , , | 3 Comentários